terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Voto consciente e mais bla, bla, bla

“Por um Brasil decente, vote consciente.” Os planfetários que me perdoem mas a minha consciência se recusa a participar da festa da democracia do foto obrigatório. Penso eu, que nenhuma consciência participa, porque para crer que algo obrigatório é uma manifestação democrática deve-se estar no mínimo inconsciente.

Para esses credores de um país “decente”, o governante deverá providenciar saúde, emprego, educação e varias outras coisas, tudo isso com boa qualidade. Saude.... um dia, quem sabe, o Estado se preocupará. Emprego só com boa qualificação que é provida pela educação. Educação essa, que por sua vez, jamais será concebida a nós pelo governo.
Os governantes sabem que com educação de boa qualidade todos passam a pensar e questionar. E um povo pensante não é manipulável. Um povo pensante levaria a sociedade ao anarquismo, pois este povo saberia que a liberdade e as vontades não podem ser tiradas do corpo e representadas por um terceiro. Um terceiro que é escolhido pela maioria e não por todos. E isso é democracia? Sucumbir-se a vontade alheia? Se isso é democracia me recuso a vive-la.
Me recuso a viver na democracia da segregação de classes sócias. Na democracia, onde o pobre deve ser condenado a passar o tempo em uma escola publica, e o rico a passar os seus dias tendo o deleite do saber no ensino particular.
Me recuso a viver na democracia onde pessoas morrem na fila porque não têm dinheiro para pagar o tratamento medico. Ao mesmo tempo que outras têm o melhor atendimento da face da Terra.
Me recuso a viver nessa democracia falsa e comprada pela mesquinhez do capitalismo.
Me recuso, e queria que todos se recusassem. Queria que não esquecessem a consciência em casa, e que a carregassem consigo para questionar o mundo, para questionar as imposições, as ordens, os dogmas e tudo que aparentemente não é questionável.
A consciência dos eleitores esta no bolso, já que ele não tem dinheiro. A consciência está no lixo, junto com o senso critico e a dignidade de ser humano. A consciência está no papel junto com todas as outras teorias não praticadas pelo povo. A consciência do voto está no voto, na propaganda, nas propostas, jogo de marketing sujo, muito útil, para manipular e vocalizar uma verdade exata. Verdade esta, de Platão – não é verdade! E seguimos assim, em ordem num desprogresso bem característico rumo ao topo da pirâmide invertida, votando conscientemente e acreditando em mais uns bla, bla, blas que dizem por ai.
Carolina Souza

Sejamos, pois, cupins

Foi assim que o meu doce-amargo fim de semana se findou, o escasso momento que tenho para cuspir os meus míseros dotes artísticos foi desperdiçado com aquela magnífica prova.

ENEM: o exame que atesta a incompetência dos cérebros fabricados pelo ensino publico. O que não é de se admirar, partindo do principio que grande parte do que é publico tem a tendência em ser falho. Todavia, deixemos de lado os engenhosos feitos dos burgueses-adiposos e vamos entender o mecanismo deste novo- velho exame.
O governo tendo ciência de que as escolas publicas não capacitam o aluno nem para apertar parafusos resolveu, mais uma vez, mascarar a situação: faça-se o novo Enem. E surgiu. A partir daí, com o novo Enem sendo utilizado como vestibular, para ingressar em uma universidade basta saber ler. Sim, basta somente saber ler, pois este é o único conhecimento necessário para se fazer a prova. E a população incauta, ingênua ou ignorante, considera a facilitação do acesso a faculdade algo maravilhoso. Grande engano. Enem, esta prova que é vista com medo pelos estudantes das escolas publicas, e feita com deboche pelos alunos das instituições particulares. E mais uma vez, a classe media e alta são a maioria nas universidades federais, a minoria da população e a maior beneficiada com o Enem.
Santa democracia da estratificação social. Republica da aristocracia daqueles que algarismam o amanhã.
Pra que criar seres pensantes que irão contra o sistema vigente?
O governo não educa monstros para derrubá-lo, entretanto ele deixa que os cupins vivam, e roam sua estrutura de forma passiva até a queda. Uma queda para que todos fiquem no mesmo patamar. Sejamos, pois, cupins.

Carolina Souza

Saudades do Lar

Perco-me entre navios
E meu chefe se enfurece
Mas as lembranças eu não consigo conter
Daquelas doces vozes
Risonhas e taciturnas
Alegrando a minha infância

Todo dia olho-me no espelho
E pergunto-me o que eu fiz de mim
Eu busquei um futuro promissor
O sucesso se formou tão rápido

Viajei muito
Todas as fronteiras eu rompi
Mas anseio em casa logo chegar
Todas as possibilidades
Tornaram-se uma certeza inquestionável

Então me perco entre os navios
Destilo saudade em copos vazios
E as ondas batem contra minha sanidade
Vasculho em álbuns momentos vividos
Outra vez tudo ganha vida

Escrevo esta canção para quem se sente assim
Longe de casa...

Saudades do lar...
Só sabe como dói quem a sente
Somos ermitões.

Carolina Souza

domingo, 2 de janeiro de 2011

Vinte quatro de novembro

Dedico este poema a um amigo...
Vasto foram os dias em que a solidão me atingiu de forma inescrupulosa.
Infelizmente me abati por alguns momentos.
No entanto, posso afirmar que tudo se renovou a partir daquele momento.
Tenho um amigo.
Exatamente este simples fato me salvou.

Queria eu tê-lo conhecido antes.
Único e incomparável.
Arcanjo que cuidado de mim.
Ter-te-ei como amigo ad finem?
Rogo à Deus para que permita que sim.
Ostento ter-te como irmão.

Deveria eu te elogiar de todas as formas possíveis.
Escrevo miseras palavras para tornar-te imortal.

Nasci sozinha.
O céu ordenou que eu te conhecesse.
Você me encontrou.
E hoje, amigos-irmãos somos.
Mesmo com ideologias distintas entendemo-nos.
Beiro eu à loucura, mas você me resgata.
Respeito-te, admiro-te.
Orgulho-me de ter-te como amigo.

 
Carolina Souza

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ode ao transgressor

Queriam-me casado e tributável, de terno e gravata dentro de um escritório como sardinha em lata ao molho de burocracia. Não queriam a mim. Queriam a minha alma, o meu trabalho, a minha produção. Mas não me vendo! E acreditava que a humanidade teria dignidade para não se vender também.


Fui exilado em meu próprio lar. Olho ao meu redor e não há nada humano. Vejo pernas, braços, cabeças. Corpos vazios e automatizados. - Quando será que a minha bateria acabará?

A dor e o pranto parecem mais típicos do que a alegria. Crianças chorando. Homens feridos. Tudo é observado de forma pacifica, sem comoção e sem revolta. Espectadores da própria destruição. É isso que somos nós.

E há quem diga que progredimos cem anos; mas para mim, retrocedemos um século.

Progressos científicos. Decodificam o DNA. Criam clones. Explicam terremotos. Tudo em vão. Não estou dizendo que avanços tecno-cientificos são desperdício de tempo. Todavia, eles não são os únicos avanços necessários. Ainda existem epidemias e doenças sem cura. Os terremotos ainda devastam grandes áreas. Pessoas falecem. E não podemos interpretar isso como “menos uma boca para ser alimentada”.

Minha fé nesta Terra cada vez é mais escassa, talvez ela seja assim, por não ter companheiras. Não há mais fé. Não há mais essência. Não há mais nada. Há o que não há.

Transgressores: uma ilha de esperança num mar de amargura. Os únicos que pensam, que não se vendem, que não traem a si próprios. Têm um ideal e o seguem. Não se alienam. São livres.

Talvez até sejam vistos como patológicos. Mas eles não aceitam assinar um contrato com uma sociedade que não respeita suas próprias leis.

Que beirem o anarquismo, que sejam amigos da loucura, que escrevam odes aos paleolíticos. Anarquismo de quem não precisa ser submisso as ordens de um governo para se desenvolver. Loucura daqueles que questionam o questionar. E ode aos paleolíticos que tinham a liberdade, o trabalho e a terra. Não se fixavam pois tinham o mundo. Não exploravam até que acabasse eternamente. Trabalhavam para si, e não para vender sua dignidade. Matavam e caçavam só o que precisavam. E eram poetas.

Sim! Poetas! Poetas, porque poetizar é fazer com destreza, com perfeição. E uma vida de liberdade e igualdade é construída aos poucos como uma obra de arte. A vida se torna o quadro, a escultura, a melodia, a dança, o infinito restrito a um tempo pequeno.

Aqueles que têm lucidez porque sabem discernir da loucura. Aqueles que sabem que o céu é azul e não querem vê-lo vermelho. Aqueles que têm sonhos e não os sucumbem as vontades externas. Aqueles que são transgressores, que sejam sempre, e que não se deixe calar nem no ultimo instante.

Carolina Souza

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cuidado que ela volta!

Dois incautos entram em uma pequena loja

E compram 13 balões com a esmola que ganharam
Voltam para o seu barraco no suburbio da cidade
E no dia seguinte, ao amanhecer, soltam os balões.
Das casas onde existe ciencia o alerta parte:
"Há algo perigoso lá fora"
E os olhos espiam pela janela e veem
13 balões invadindo o nosso céu!
13 balões vermelhos escondendo o nosso sol de verão
E quem tem ciencia avisa:
"Há aqui quem é daqui e irá nos trair"
As maquinas de guerra ganham vida
Os olhos da grande aguia ganham força e hipinotizam quem olha para os 13 baloes vermelhos no céu de verão.
13 decisões impostas
13 pessoas mortas
Ninguem pode governar
Só o Imperador pode mandar
E nas ruas a declaração:
"Agora é guerra, foi isso que conquistamos.
Chamem as tropas, chamem os caças para derrubar os 13 balões vermelhos que estão no ar".
13 tanques nas cidade
13 torturados encontrados
Desejos de um novo Tiradente
Suspeitas de uma nova ditadura
Ordens para identificar, classificar e censurar
E se olharmos para o céu só veremos 13 balões vermelhos a voar
13 sonhos destruidos
Cada um por um balão
E estou aqui sem minha familia
No meio das ruinas do que um dia foi uma nação
Quando olho para o passado
Penso que não houve compaixão
Meus olhos se enxem d'agua
Lembro de vc e de um balão que eu (v)soltei...
 
Carolina Souza

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Reminiscência como lei

Em ano eleitoral não poderia falar sobre um assunto diferente de eleições. A maioria dos leitores já deve estar procurando outra coisa para ler, afinal de contas, política é um tema e causa repulsa a maioria das pessoas. Todavia gostaria de esclarecer que política e eleição são coisas totalmente diferentes.
Eleição nada mais é que a escolha de um representante. Talvez ele seja bom, talvez seja ruim, ou talvez ele nem seja. Como Maquiavel dizia, “Todos vêem o que pareces, poucos sabem o que tu és.” Mas voltando a falar das eleições, o problema – por enquanto – não é os candidatos, e sim, a campanha! Santinhos são dados para pessoas e para o vento, e o melhor é que nós sempre recebemos no mínimo dez deles, será que devemos ficar com um e distribuir os nove restantes??? Prefiro nem citar aquelas bandeiras que atrapalham o transito de veículos (limita a visão dos motoristas) e dos pedestres (já que metade da calçada é das bandeiras). E o melhor, aqueles carros de som, no volume mais alto possível, com aquelas parodias dos hits batidos do ano passado. Ai, as eleições são “maravilhosas”!!! E quando pensamos que já passamos por todas as provações: a campanha invade nossa TV, e de repente, todo o trabalho se torna um show, que às vezes, é cômico ou traumático. E mais um viva a democracia, esta avó que nos mima e nos permite escolher qualquer candidato, e é ai que mora o perigo: QUALQUER CANDIDATO. Apresentam-nos os mais diversos tipos de futuros governantes, alguns excelentes e outros totalmente despreparados. Usando mais uma frase de Maquiavel: “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis.”
Já saindo das eleições e entrando na política em si, o problema floresce a partir do momento em que o representante escolhido começa a atuar. Governar não é um dom, mas também não é adquirido com um diploma. A arte de governar é o conjunto da sorte e da sabedoria. Sorte??? Sim, sorte! A mesma sorte que se recebe ao achar um trevo de quatro folhas. Quem governa precisa ter a sorte de encontrar um mundo de oportunidades abertas e um cenário favorável ao seu governo, e também precisa ter sabedoria para utilizar esta sorte da melhor maneira possível.
Um bom governo, vai além do crescimento econômico. Não estou dizendo que este não é importante, só alego que ele não é o único essencial. Cuidar do social, humanizar e dismassificar uma população também é de extrema importância. Ver um povo, uma nação, ver pessoas, e não simplesmente consumidores. Pena que isso tudo é uma grande utopia.
Entretanto o fato é que as eleições estão ai , e em um país onde a reminiscência é lei, o sofrimento é um passo para perfeição , uma vez que ter pouco todo dia, é melhor do que correr o risco de não ter nada por um momento.

Carolina Souza